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Reforma tributária · 9 min de leitura

Reforma tributária 2026: IBS e CBS — o que muda no sistema da sua empresa

## Por que isso afeta a sua empresa (mesmo que você não seja contador) A reforma tributária aprovada pela EC 132/2023 começa de fato em janeiro de 2026. Não é só uma "atualização de alíquota". É uma reconstrução: novos tributos (IBS e CBS), nova estrutura na nota fiscal, regime dual de cálculo durante a transição. Se a sua empresa emite nota fiscal — qualquer tipo, em qualquer setor —, o sistema que faz isso vai precisar mudar. Não importa se você é indústria química com ERP customizado, comércio com SaaS de prateleira, ou prestador de serviço com sistema interno. **Quem não preparar o sistema vai parar de emitir nota em janeiro.** ## O cronograma real (não o do marketing) - **Janeiro 2026** — IBS (0,1%) e CBS (0,9%) entram em fase de teste. Alíquota baixa, mas obrigação de cálculo, registro e reporting já vale. - **2027** — CBS substitui PIS e COFINS para a maioria das empresas. Simples Nacional tem prazo estendido até final de 2027. - **2029-2033** — IBS substitui ICMS e ISS de forma gradual, com alíquotas subindo escalonadamente. A janela de "preparação tranquila" termina em outubro de 2025. Quem ainda não começou em 2026 está em modo emergencial. ## Os 4 campos novos que toda nota fiscal precisa ter A partir de janeiro de 2026, NF-e, NFC-e, NFS-e e CT-e precisam comportar: 1. **CST/CSOSN dos novos tributos** — novos códigos de situação tributária para IBS e CBS 2. **Base de cálculo IBS** e **alíquota IBS** — alíquota varia por município (são 5.570 municípios brasileiros) 3. **Base de cálculo CBS** e **alíquota CBS** — alíquota federal única 4. **Valor do imposto seletivo** — aplicável a produtos específicos (cigarro, bebida açucarada, alguns combustíveis) Se o seu sistema atual de emissão não tem espaço para esses campos no XML, o webservice da SEFAZ rejeita. **Resultado: nota não é emitida e venda não fecha.** ## Simples Nacional: prazo estendido, mas atenção à atratividade Empresas do Simples têm até 2027 para migrar. Mas atenção: o regime do Simples só faz sentido se ele continuar vantajoso. Com IBS e CBS, muitas empresas que hoje estão no Simples vão descobrir que o regime regular passa a ser mais barato (especialmente serviços B2B). **Cada CNPJ precisa ser recalculado individualmente.** Se você é dono de empresa no Simples, peça ao seu contador uma projeção comparativa antes da virada do ano fiscal. ## Integração SEFAZ — o que vai quebrar tecnicamente Os webservices das SEFAZ estaduais e a NF-e 4.0 vão receber novos schemas XML. Todo sistema que faz integração direta precisa atualizar: - Parser XML (estrutura nova) - Validação de schema (XSDs atualizados) - Lógica de geração de XML (novos grupos obrigatórios) - Tratamento de erros (rejeições novas) Quem usa **middleware** (TecnoSpeed, Sieg, Migrate, Synker etc.) depende do fornecedor atualizar a tempo. Verifique cronograma do seu fornecedor agora — alguns vão atrasar. Quem usa **integração direta** com a SEFAZ via SOAP ou REST precisa programar a migração própria. Em casos onde o código original está abandonado ou foi feito por fornecedor que sumiu, é refazer. ## Checklist técnico (15 itens) Use este checklist para diagnosticar onde o seu sistema está hoje: ### Banco e estrutura (5 itens) 1. Schema da tabela de notas tem campos para IBS, CBS e imposto seletivo? 2. Tabela de alíquotas IBS por município está modelada (5.570 entradas)? 3. Tabela de NCM tem classificação seletiva atualizada? 4. Suporte a cálculo paralelo (ICMS+PIS+COFINS antigo vs IBS+CBS novo) durante transição? 5. Versionamento de schema (você consegue rodar relatório no modelo de 2025 e no de 2026)? ### Emissão (4 itens) 6. Geração de XML NF-e 4.0 com novos grupos obrigatórios? 7. Validação dos novos XSDs antes de enviar? 8. Tratamento de rejeição da SEFAZ com novos códigos de erro? 9. Modo dry-run para testar antes de emitir de verdade? ### Reporting (3 itens) 10. Dashboard fiscal mostrando impacto do novo regime (comparativo antigo vs novo)? 11. Relatório de simulação por cliente / fornecedor / produto? 12. Importação massiva de cadastros (quando mudança de regime exigir)? ### Operação (3 itens) 13. Logs auditáveis para fiscalização futura (mínimo 5 anos)? 14. Backup do sistema antigo congelado para consulta de período pré-reforma? 15. Treinamento da equipe que opera o sistema? ## Por onde começar se você ainda não começou Três ações práticas para esta semana: 1. **Inventário** — liste TODOS os pontos de emissão de nota fiscal na sua empresa. Quem emite, em qual sistema, com qual integração. Surpresa frequente: existem mais pontos do que você imagina. 2. **Levantamento de fornecedores** — para cada sistema da lista, contate o fornecedor e peça o cronograma oficial de adequação à reforma. Pegue por escrito. 3. **Plano de contingência** — para os sistemas onde o fornecedor não dá garantia (ou para os feitos in-house sem manutenção), planeje migração ou substituição. ## Conclusão A reforma tributária não é evento técnico isolado. É uma reconstrução que mexe em cálculo, emissão, reporting e processo interno. Empresas que esperam para resolver em dezembro de 2025 vão pagar caro — em fornecedor emergencial, em tempo de equipe, em multas por não-emissão. Se você tem dúvida sobre onde sua empresa está, agende uma conversa de 30 minutos. Diagnóstico técnico honesto, sem venda.
Por Jadir Luiz de Oliveira Junior · CEO Icardcase

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